Mudança de status de PCC e CV leva empresas a vasculhar conexões para evitar punição dos EUA

O endurecimento das normas de conformidade internacional cria um novo gargalo logístico e financeiro para o setor corporativo nacional.

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A recente reclassificação das facções criminosas PCC e CV como "ameaças transnacionais" pelo governo dos EUA gerou um efeito cascata no setor corporativo brasileiro. Departamentos de compliance de grandes empresas nacionais iniciaram, nesta semana, uma varredura rigorosa em toda a sua cadeia de fornecedores e parceiros logísticos.

O temor é o enquadramento na Lei de Práticas Corruptas no Exterior (FCPA) e em outras sanções americanas. Como o sistema financeiro dos EUA monitora fluxos de capitais em nível global, qualquer empresa brasileira que, ainda que indiretamente, possua conexões financeiras ou logísticas com operações controladas pelas facções pode sofrer bloqueio de ativos ou banimento de transações em dólar.

"É um pesadelo logístico. Precisamos auditar desde a transportadora que entra no porto até o fornecedor de matéria-prima que atua em zonas de conflito", afirmou um executivo de uma gigante do setor de varejo sob condição de anonimato.